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POLOS

Autor:

Intérprete:

Júlio dos Santos Oliveira Jr.

Júlio dos Santos Oliveira Jr.

O que é perder?

O que é ganhar?

O que é saber?

O que é ignorar?


A moral é refem da geografia,

Obedece aos paralelos e meridianos.

O quê, para uns, é bela sinfonia,

Para outros, sucessão de enganos.


Quem é, realmente, capaz

De definir “bons costumes”?

A uns, por tradição, lhes apraz

O cheiro dos cortumes.

Outros há que, sem pejo,

Cultivam a bigamia.

Oculto e tenaz desejo,

Quando não simples mania.


Para alguns o preto é luto,

Para outros o branco o é.

Depende do estatuto,

Depende do tipo de fé.


Uns tem gosto pela tragédia,

Outros nem tanto.

Uns gostam da Idade Média,

Outros não lhe vêem o encanto.

Uns fazem do amor

O propósito de vida.

Outros, seja como for,

Nunca lhe dão guarida.


Uns sofrem, outros mentem.

Uns usam o sorriso, outros a carranca.

Ainda que todos nunca muito confiem

Haver, para as decepções, boa tranca.


Mas, uma coisa é certa,

Não há como negar:

Quando é boa demais a oferta,

Melhor desconfiar.

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