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MÃOS

Autor:

Intérprete:

Júlio dos Santos Oliveira Jr.

Júlio dos Santos Oliveira Jr.

Hoje acordei cedo, bem cedo,

E olhei para minhas mãos.

Lembraram-me meu primeiro brinquedo

E perdi-me por esse e outros desvãos.


Minhas mãos são quase pequenas,

Às vêzes quentes, às vêzes frias.

Conheceram muitas loiras, e morenas,

Tânias, Maras, Anas e Marias.


Quanto amor há em minhas mãos,

Amor nem sempre compreendido.

Provaram muitos sins, e alguns nãos,

Mas nunca deixaram de fazer sentido.


As mãos não mentem,

São os olhos do coração.

Ainda que muito tentem,

Nunca dizem sim, em lugar de não.

Podem ser suaves, cativantes,

Ou maldosas como elas só.

São o depois do antes,

Da árvore do amor, o cipó.


Mãos que não amam são frias,

Como beijo da morte.

Despidas de alegrias.

Prenúncio da má-sorte.


Mãos que amam são famintas,

Suaves, ternas, pegajosas.

São especiais, sempre distintas,

Coloridas, quentes e saborosas.


Mãos que pedem,

Mãos que dão.

Mãos do Eden,

Mãos do coração.

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