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CARTA

Autor:

Intérprete:

Júlio dos Santos Oliveira Jr.

Júlio dos Santos Oliveira Jr.

Quatro dias já

E não consigo abrir essa carta.

Deve ser notícia má.

Chegou no sábado e hoje é quarta.


O envelope é pequeno,

Mas é no menor frasco

Que se esconde o maior veneno.


Veio registrada,

Com aviso de recebimento.

Pode não ser nada,

Parece tolo esse tormento.


Afinal, do que tenho medo?

Por que adiar o que vou fazer,

Mais tarde ou mais cedo?


Veio sem remetente.

Nome ilegível, borrado.

Por mais que eu tente,

Continuo preocupado.


O que me chamou a atenção

É que o envelope é pardo

Frio, distante, sem emoção.

Melhor abrir de uma vez,

Ou então jogar fora.

Não dá pra ficar no talvez

E não é a caixa de Pandora.


Vou tirar de cima da mesa,

Vou pegar, vou abrir,

Acabar com essa tristeza.


Tem alguma coisa dentro, no meio.

Parece um pequeno objeto.

Será que meu receio

Afinal estava correto?


Era um folheto,

Um comprimido

E um boleto.


Era azul o comprimido

E estava escrito no libreto:

“Volte a amar, cuide de sua libido,

Entrega discreta, basta pagar o boleto...”


Chiiii, acordou o passarinho...

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